SERINGUEIRA

A sangria constitui-se a operação mais importante realizada num seringal, uma vez que está diretamente ligada à produção final.

Portanto, o treinamento de mão de obra para realização da sangria é, sem dúvida, o principal fator na exploração do seringal. Por isso o parceiro (sangrador) é de extrema importância para a coleta do látex, ele definirá o rendimento do negócio, através de sua habilidade e dedicação.

PROCESSO DE SANGRIA

Após aproximadamente sete anos ou mais, o seringal estará pronto para iniciar o processo de exploração. É necessário primeiramente identificar e marcar as árvores que estão prontas para a realização da sangria. As mesmas só estarão aptas quando atingirem 45 cm ou mais de perímetro ou circunferência do tronco, altura de 1,30 m e espessura de casca igual ou acima de 6 mm.

o sangrador dividirá as árvores disponíveis para sangria em lotes de aproximadamente 1000 árvores, que corresponderão ao número de árvores a serem sangradas ao dia por cada sangrador, sendo este responsável por aproximadamente 4 lotes, dependendo do seringal.

 

ABERTURA DO PAINEL

Para a abertura do painel, o sangrador utilizará alguns materiais, como: riscador, faca “Jebong”, paquímetro, marcador de consumo de casca e bandeira.

O primeiro passo será marcar as geratrizes da planta, ou seja, duas linhas verticais que dividirão o tronco da árvore em duas metades iguais, a uma altura de 1,30 m, impondo os limites divisórios para a sangria.

Após este procedimento, o sangrador utilizará a bandeira, esta que tem por finalidade auxiliar o sangrador na marcação da linha do corte no ângulo desejado, visando uma inclinação adequada.

   

EQUIPAMENTOS

Antes de iniciar o processo de extração, os equipamentos como bicas e canecas já devem estar acomodados nas árvores que entrarão em sangria.

Os mesmos devem ser colocados corretamente, evitando assim perdas ou desperdícios na produção.

   

INICIO DA EXTRAÇÃO

A extração se inicia com a retirada de uma pequena porção da casca logo acima da linha do corte, conhecida popularmente como “sangria de ré”. Este procedimento tem como objetivo o encaixe perfeito da faca na planta, facilitando assim o seu manejo.

   

AFIAÇÃO DO MATERIAL DE TRABALHO

Antes de iniciar o trabalho é importante que o sangrador faça a afiação da faca de sangria, pois a boa afiação garantirá o desempenho máximo da planta.

   

EXECUÇÃO DA SANGRIA

Inicia-se o processo diário das tarefas de sangria, onde serão cortadas porções uniformes na casca ao longo de toda a extensão do corte, permitindo a abertura dos vasos laticíferos e a escoação natural do látex.
Quanto mais próximo o corte for da madeira, maior o número de vasos laticíferos e maior a produção. Deve-se salientar que o sangrador não poderá atingir o câmbio (película entre a casca e a madeira), evitando assim ferimentos na planta, impedimentos de regeneração da casca e outros possíveis danos.

   

HORÁRIO DE SANGRIA

Os horários de sangria são variáveis em cada seringal, porém estudos recentes indicam que a produção é maior se evitados os horários com calor abrangente, optando assim por horários que a temperatura se encontra mais amena.

   

TIPO DE CORTE / DIREÇÃO DO CORTE

O tipo de corte mais utilizado é o meio espiral, que consiste em retiradas de porções da casca em forma de ½ espiral, dividindo a planta ao meio com declividade definida e sempre em sequência.

A direção do corte mais utilizado é a descendente, realizada num ângulo de 45 graus, de baixo pra cima. Sua execução é fácil e propicia boa produção.

   

FREQUÊNCIA DE SANGRIA

É de suma importância os intervalos entre uma sangria e outra, pois a planta pode entrar em exaustão se explorada consecutivamente, diminuindo a produção.
A frequência de sangria mais utilizada é o sistema D4, ou seja, a planta será sangrada de 4 em 4 dias. Caso a sangria não seja realizada no dia programado por motivos de chuva ou adversos, a mesma poderá ser reposta nos dias seguintes, após a execução de rotina.

   

CONSUMO DE CASCA

O consumo da casca deverá seguir os traços delimitados pela bandeira, pois o uso abusivo ou desnecessário da mesma poderá diminuir a vida útil da planta. Por isso é muito importante a marcação correta no painel, pois auxiliará o sangrador a consumir a quantia de casca indicada no mês ou no período de safra.

   

COAGULAÇÃO DO LÁTEX

Coagulação é a transformação do látex de forma líquida para sólida. Este processo ocorre naturalmente na caneca em aproximadamente dois dias. No período de chuvas, para se evitar perdas de produção, é feita a coagulação forçada do látex, com a utilização de ácido acético.

   

ESTIMULAÇÃO DO PAINEL

Consiste na aplicação de substâncias químicas no painel de sangria que retardam a obstrução (fechamento) dos vasos laticíferos, prolongando assim a saída do látex e aumentando a produção por sangria. A estimulação tem por finalidade diminuir a frequência de sangria, sem prejuízo da produção. A estimulação excessiva ou em dosagens altas podem secar o painel, por isso deve ser feito com a orientação de um profissional.

COLETA E ARMAZENAMENTO

A coleta refere-se à retirada da produção, semanal ou quinzenal, do látex coagulado das árvores em sangria. Os coágulos são retirados da caneca e acondicionados em caixas plásticas, no qual ficam armazenados em local suspenso do solo, evitando contato com impurezas ou qualquer tipo de sujeira que possa prejudicar a qualidade da borracha.
As caixas são coletadas com o auxilio de carretas, e são conduzidas até uma plataforma coberta, onde ficarão por 2 ou 3 dias dependendo do seringal.

   

PESAGEM E CARREGAMENTO

As caixas contendo os coágulos serão pesadas na plataforma com auxilio dos parceiros e supervisionadas por responsáveis da empresa de coleta. Após a anotação individual dos pesos por parceiro, os coágulos são depositados no caminhão de coleta e seguem o seu destino até a usina de beneficiamento.

BENEFICIAMENTO DA BORRACHA – USINA

Após vários processos como: separação, hidratação, granulação, lavagem e secagem, a usina obtém o produto GEB – Granulado escuro brasileiro, usado na sua grande maioria para a fabricação de pneus, entre outros.

CUIDADOS NECESSÁRIOS

A seringueira é uma planta que se adapta com facilidade a ambientes diversos, no entanto, são necessários alguns cuidados para obter um controle do seringal e consequentemente uma melhor produtividade. Além da supervisão e acompanhamento de um profissional no seringal, os sangradores devem estar atentos a qualquer alteração na planta, evitando assim uma proliferação de doenças, fungos ou pragas.

APLICAÇÃO DE FUNGICIDA

Quando necessário e orientado por um profissional, protege a planta contra fungos e doenças. Geralmente também é aplicado no final de cada safra como um tratamento de painel.

   

IDENTIFICAÇÃO DAS DOENÇAS

Existem vários tipos de doenças que podem ser identificadas no seringal, como:

Antracnose do painel, Mofo-cinzento, Cancro-estriado do painel, mal de folhas, entre outras.

Todas devem ser observadas e tratadas com aplicação de produtos eficientes ou por práticas culturais, sempre orientados por um profissional.

Também poderá ocorrer a Seca do painel, que não é uma doença, e sim um distúrbio fisiológico da planta. Neste caso deve-se suspender a sangria por um período e/ou isolar a área atingida por meio de canaletas profundas nas laterais.

MANIFESTAÇÕES DE PRAGAS

Quanto às pragas que atacam o seringal, há os ácaros, besouros desfolhadores, mandarovás, formigas, moscas brancas, cochonilhas, percevejos de renda, cupins, entre outros.
Estas devem ser identificadas e combatidas rapidamente no seringal, pois a proliferação pode ser muito rápida e os danos causados poderão prejudicar a planta e afetar a produtividade.

DESCANSO DO SERINGAL

A maioria das plantas durante o inverno tem “descanso” no seu desenvolvimento vegetativo. A seringueira, neste período, sofre um fator de senescência, ou seja, ocorre o desfolhamento total das plantas, entre os meses de julho a agosto as árvores utilizam suas reservas orgânicas e minerais para reconstituir sua folhagem. Nesta fase é recomendado parar a sangria ou diminuir a intensidade da mesma até as folhas amadurecerem.


 
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Fotos by Debora Fachincone